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Nascemos e jamais morreremos

Nascemos e jamais morreremos!

Nascemos e jamais morreremos! Esta é a maior riqueza que a vida nos dá. A possibilidade de existir, de fazer caminho, de nos encontrarmos com os outros, de descobrir o infinito em cada dia, em cada gesto, em cada projeto. A possibilidade de sermos seres imortais.

Nascemos e jamais morreremos! Esta é a maior certeza que a vida do Jorge nos dá. A certeza profunda de que para sempre viveremos se amarmos, se nos dermos por completo e sem reservas, se acreditarmos que somos chamados a ser infinito em cada dia que nos é dado. E com os olhos postos num futuro maior, aceitar que viver a vida no presente de cada dia é viver o presente que é a vida de cada dia.

Nascemos e jamais morreremos! Por isso, hoje será sempre um dia de festa. De celebração. De alegria. De agradecimento. Profundo e feliz. Por tudo o que nos foi dado viver juntos, por tudo o que aprendemos, por tudo o que partilhamos. Pelas escolhas que fizemos. Pelos risos e tristezas. Pelas dificuldades e alegrias. E pela vida que continua a acontecer. Por tudo o que continuamos a aprender com os dias que tantas vezes surgem virados do avesso. Afinal, ainda temos tanto para descobrir. E tanto, tanto, tanto que temos aprendido e descoberto!

Nascemos e jamais morreremos! Há um ano, o Jorge, sempre tão avesso a festas em sua honra (o que ele gostava que o seu dia de aniversário coincidisse com a noitada de São Pedro, julgava ele que passava despercebido no meio dos festejos próprios desse dia…), quis celebrar o seu aniversário! 50 anos! Juntou-se o simbolismo da idade com a sua vontade raríssima de querer fazer festa, num momento já muito delicado do seu estado de saúde, e com um núcleo familiar muito restrito, devido às contingências da pandemia que assim o obrigava. Sentimos agora que terá sido para nos fazer lembrar que há que festejar e só agradecer, não há espaço para lamentos nem tristeza. E “foi bonita a festa, pá!”. Por isso, aqui queremos partilhar com todos esta memória feliz, de alegria, de amor.

Nascemos e jamais morreremos! Parabéns, Jorge, nosso amigo, nosso irmão, parte de nós, nosso coração inteiro e pensamento profundo. Por aqui, continuaremos a festejar-te todos os dias. Todos. Com a alegria que tu queres, com o empenho que tu exiges, com a convicção que vale a pena viver a serenidade por entre o mistério da vida. A celebrar a tua vida que é a nossa. A cantar-te. A assumir a responsabilidade de te vivermos em cada dia. Para sempre. A tua luz brilha sempre diante de nós.

Aleluia!

Aleluia! Cristo Ressuscitou!

Jesus Cristo ressuscitou!

Celebramos a Páscoa, a festa da Vida.

Celebramos Jesus que está vivo no meio de nós.

Celebramos a ressurreição, a eternidade e o cosmos.

Celebramos a esperança, a fé e a alegria.

Celebramos a primavera, o sol e os passeios.

Celebramos a contemplação, a criação e o pão.

Celebramos os dias, o encontro e a claridade.

Celebramos a poesia, os rios e os olhares.

Celebramos o canto, as nuvens e os desafios.

Celebramos o horizonte, o riso e a aventura.

Celebramos a luz, o eco e a liberdade.

Celebramos as manhãs, o mar e a auto-estrada.

Celebramos a animação, o encanto e as estrelas.

Celebramos a partilha, as viagens e os gelados.

Celebramos a música, a água e o pôr-do-sol.

Celebramos a descoberta, a alfazema e as escaladas.

Celebramos o acreditar, a beleza e o entusiasmo.

Celebramos as cores, a saúde e a amizade.

Celebramos as nascentes, a brisa e as aldeias.

Celebramos o azul, a terra e a dança.

Celebramos a passagem, a juventude e os aniversários.

Celebramos as montanhas, o movimento e o amanhã.

Celebramos o tempo, os pais e os irmãos.

Celebramos as decisões, as alturas e a mudança.

Celebramos a coragem, os sonhos e as casas.

Celebramos as portas, as janelas e os sótãos.

Celebramos os grupos, a conquista e a criatividade.

Celebramos a originalidade, o equilíbrio e a comunidade.

Celebramos as horas, a diversidade e a confiança.

Celebramos a educação, a sensibilidade e a palavra.

Celebramos os objetivos, a qualidade e a elevação.

Celebramos o trabalho, a organização e a responsabilidade.

Celebramos os livros, o pensamento e a comunicação.

Celebramos o compromisso, a atualização e o crescimento.

Celebramos o silêncio, a maturidade e a renovação.

Celebramos a reflexão, a força e a serenidade.

Celebramos a comunhão, a simplicidade e a oração.

Celebramos o caminho, a verdade e a vida.

Celebramos o amor.

Celebramos a paz.

Celebramos o Homem.

Celebramos Jesus.

Celebramos para sempre.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Jorge, Páscoa de 2010

Stille Nacht

Em 1816, nasceu a canção de Natal “Silent Night”. Contam as histórias que na vila de Oberndorf na Áustria, o padre Joseph Mohr, preocupado com a possibilidade de uma noite de Natal sem música, porque os ratos tinham roído os foles do órgão da igreja, procurou um instrumento que pudesse substituir o antigo. Nas suas pesquisas, começou a imaginar como teria sido a noite em Belém. Fez anotações e pediu ao músico Franz Gruber que lhes desse uma melodia. A nova canção foi assim composta originalmente para guitarra. Esta é a mais famosa canção de Natal em todo o mundo. É cantada em todos os lugares onde se celebra o Natal. Os seus autores não imaginavam que a sua canção composta numa aldeia perdida da Áustria daria a volta ao mundo em menos de 200 anos e ficasse para sempre como um símbolo musical do Natal. Musicalmente até tem uma estrutura pobre, anda à volta da tónica e dominante, I, IV e V grau. Por ser assim, ao longo dos anos, enriqueceram-na com vozes e orquestrações, como o provam as diversas versões para coro desta canção. É cantada tanto pelas crianças das escolas como pelos poderosos cantores líricos. Está traduzida em todas as línguas que celebram o Natal. Em francês, tomou o doce nome “Douce Nuit”, em inglês o calmo “Silent Night”, em espanhol a divertida e querida “Noche de Paz”, em português “Noite Feliz” que quer dizer noite feliz, em latim “Sancta Nox” e, já agora, em checo “Tichá Noc”. E em zulu, pronto, “Busuk obuhl”. No original chama-se “Stille Nacht”. “Nacht” é noite e “Stille” quer dizer quieto, calmo, tranquilo, silencioso, calado. O verbo alemão “Stillen” quer dizer sossegar, saciar, amamentar. Não pensou mal o padre Joseph ao tentar imaginar o que se teria passado naquela noite em que Jesus nasceu. Foi, com toda a certeza, uma noite serena, uma noite de paz. Um início revelador.

Um dos significados que encontro no Natal é este: o do silêncio. O silêncio onde o Homem se encontra com Deus e descobre o sentido da sua vida. O silêncio onde cada um de nós se torna mais elevado. Como a sociedade dá pouco valor ao silêncio e fala demais, acaba por perder a sua orientação. É curioso que as curas modernas para os stresses diários, umas mais eficazes do que outras, sejam todas operadas em silêncio. Ele é o yoga, o tai-chi, o pilates, a aromoterapia, a musicoterapia, os exercícios de respiração e relaxamento, as massagens, as aulas de flexibilidade, de corpo e mente e outras modalidades. Não percebe o executante que uma grande parte do sucesso destas terapias vem do tempo que, por vias delas, acaba por dedicar ao silêncio e ao encontro consigo mesmo. E sente-se melhor no fim daquela hora.

Tudo o que é belo vem do silêncio. Não se constrói nada de valor e duradouro no meio do barulho e da inquietação. É necessário sensibilizar o nosso corpo para além daquilo que os nossos sentidos nos mostram. É necessário a todos ver a beleza, a proporção, o limite e o abstrato. Procurar o que existe no silêncio. Nós também somos feitos do ar que respiramos, do silêncio das flores a crescerem, do silêncio de uma obra de arte, do silêncio de uma oração, do silêncio do sol e da lua, do eterno. A felicidade, a satisfação e a alegria que todos procuram não estão no mesmo plano do dinheiro, do poder, das vaidades, dos carros, das casas e da doutorice. Estão no plano do silêncio, da quietude, da serenidade. É necessário perceber que as vidas que crescem em silêncio são diferentes das outras. Os que entendem isto são felizes mais cedo.

                                                                          Jorge, Natal de 2008

Na vila de Oberndorf há atualmente uma capela “Capela Noite Feliz”, em cujos vitrais há a imagem dos criadores da canção. Esta capela tem lugar para 20 pessoas, porém, atualmente, a Missa do Galo é celebrada ao ar livre para 7 mil fiéis, além da visita de 1600 turistas no mês de dezembro.

Jorge

Jorge.
Sem apelido, sem título, simplesmente Jorge. Era assim que gostavas de ser chamado, é assim que te lembraremos. O Jorge.
A tua partida é dura, difícil para nós, não contemos as lágrimas. As memórias apertam o coração. Lutamos contra tudo o que tu não querias – a rendição, o facilitismo.
Mas serão essas mesmas memórias que nos farão continuar caminho e celebrar a vida!
Música, dança, musicais, celebrações cheias de vida. Jornadas, passeios, caminhadas, festas. Acampamentos, retiros. Mergulhos em águas geladas, noites carregadas de estrelas. Taizé. São João D’Arga. Abraços, muitos e apertados abraços! Oração e silêncio. Sempre o silêncio.
Devemos-te cada um destes momentos luminosos, transformadores, edificantes. Momentos que tantos de nós guardam no coração. Momentos únicos de partilha, irmandade, experiências de pura felicidade, aquela que não é exuberante, antes simples e serena. Momentos sempre apontados para o alto, lá onde tu gostavas de estar, no cimo do monte, no ponto mais alto, onde o horizonte é sempre maior.
Partiste no Dia de Todos os Santos, daqueles que na sua passagem pela vida terrena souberam ser uma luz, uma palavra, um gesto, um olhar de Deus em tudo aquilo que faziam. E que hão de continuar a fazer, só que numa outra dimensão, na Eternidade. Lá estarás tu, a tocar as mais belas músicas, a cantar os mais belos cânticos e, sobretudo, a olhar com carinho e com ternura por nós, teus irmãos no Amor.


A tua vida foi maior, Jorge! Semeaste todas as sementes que te foram dadas. Cumpriste a tua missão junto de nós. Ficarás por isso e para sempre nos nossos corações.
Para sempre!