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Estrada Quaresmal 2024

Percorram connosco a nossa Estrada Quaresmal deste ano, um tempo de oportunidade, de recomeços e de vida interior. A oração não mede a minha relação com Deus, mas é a minha relação com Deus. Que este tempo quaresmal seja propício para fazermos a descoberta desta relação única que cada um de nós tem com Deus através da meditação, da música e do silêncio.

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“Entra no teu quarto.
Entra dentro de ti, no teu coração.
Entra no teu quarto.

Toma consciência da tua vida, da qualidade da tua vida. Da qualidade espiritual, da qualidade de amor, da qualidade de generosidade, da qualidade ou não de misericórdia que tu vives.

Entra no teu quarto.
Escuta o teu coração e entra. Entra com esperança para olhares o Pai, para descobrires o Pai que te ama e que te estende a mão.

Entra no teu quarto e descobre, redescobre que Deus é teu Pai e que Deus é uma presença de amor. Ele assiste ao nosso parto, Ele assiste à reinvenção de nós mesmos, Ele assiste à transformação da nossa vida.

Celebrar o tempo da Quaresma é esperar a primavera que não está longe. Há a primavera que as árvores vão mostrando, mas há sobretudo uma primavera interior, um rejuvenescimento da alma, uma juventude de coração que cada um de nós pode ganhar.”

José Tolentino Mendonça

Ano de Oração

O Papa Francisco deu início, a 21 de janeiro, ao Ano de Oração, um caminho de preparação para o grande Jubileu que iremos celebrar em 2025. Dedicar cada dia deste ano à oração é muito mais do que seguirmos fórmulas e esquemas, muito mais do que cumprirmos planos e orientações.

Um Ano de Oração pode ser a redescoberta de como Deus se faz presente em cada dia da nossa vida. É como uma flor que desponta teimosamente em terra árida. É como uma criança que ri mesmo quando está doente. É como um abraço que se dá quando as palavras perdem força. Um Ano de Oração pode ensinar-nos a viver esta presença tão frágil e tão forte de Deus em nós, na nossa vida, nos nossos caminhos. Um Ano de Oração pode ser um hino à vida e à descoberta da beleza, da relação, da nossa humanidade divina.

Que este Ano de Oração nos prepare o coração para vivermos plenamente a experiência jubilar em 2025. Que este Ano de Oração nos ajude a fazer caminho na Igreja que somos e para a Igreja que queremos ser. Seguimos juntos, com a grande família que somos, neste caminho que é sempre um caminho pascal!

Um texto de gratidão

Um texto de gratidão. A todos, por todos e para todos. O que vivemos esta semana contrastou com as intempéries climatéricas que têm assolado o nosso país. Enquanto no exterior temos enfrentado vento e chuva, no interior da nossa Comunidade fomos alegria e partilha. Como tantas vezes temos dito, este contraste não acontece por acaso. Uma vida com significado não é uma vida ao acaso, ela acontece para ser olhada e acontecida em nós e assim assumida na sua totalidade. Numa semana de memórias e de saudade, de percalços e de ausências, escolhemos não habitar nessa zona de perda e dar o salto, simultaneamente confiante e imprevisível, que nos leva ao outro lado, ao espaço da alegria, da dor que é trabalhada para dar fruto, da comunhão de vida com quem connosco caminha.

No dia 1 de novembro, lembramos a vida do Jorge nas nossas vidas numa festa que, para nós cristãos, é a maior de todas – a Eucaristia. A festa que o Jorge gostaria que lhe fizéssemos! A festa do encontro, da partilha, das palavras cantadas, da música tocada, dos abraços e dos braços no ar, na igreja que foi o seu coração durante a sua vida toda. Este é nosso lugar de pertença, de crescimento, de doação. “Esta é a geração dos que procuram a vossa face, Senhor”, cantávamos nesse dia no salmo, uma das mais belas músicas feitas pelo Jorge. Esta geração somos nós, os que seguimos. Aceitando os obstáculos e dando as mãos para os enfrentar, cantando e rindo quando tantas vezes as lágrimas nos caem. Que alegria sermos esta geração que caminha em comunidade, tal como sempre foi o desejo do Jorge!

Na quinta-feira, celebramos o 2.º aniversário do “Encontro em TI”, a nossa oração comunitária mensal na Igreja Matriz. Um sonho nosso antigo, este o de levar a nossa forma de orar para a comunidade e, assim, rezarmos juntos com a música, as palavras, o silêncio. No final, levamos esta partilha para a volta da mesa com quem, numa noite ventosa, se juntou a nós. E que convívio tão genuíno, tão simples e tão agradável, como é tudo aquilo que verdadeiramente importa!

Este é um texto de profunda gratidão. Como diria o Jorge, esta semana foi “uma riqueza”! Obrigada a vós que caminhais connosco nesta Estrada Clara! Seguimos juntos!

Mês de Maria

Iniciamos, hoje, o mês mariano por excelência. O mês dedicado a Maria que, com o seu Sim, permitiu que Jesus viesse habitar entre nós e, assim, fazer de cada pessoa um irmão e um filho amados. Com o Sim de Maria, Deus humanizou Jesus e divinizou a Mãe. Maria é um projeto de Deus. Maria está presente em cada um de nós. Nós também somos este projeto de Deus. Também nós fomos sonhados, amados e escolhidos. O que Deus fez com Maria também o deseja fazer com cada um de nós. Basta, para isso, que lhe queiramos oferecer o nosso Sim. Em cada dia em que seja preciso viver mais. Em cada lugar onde seja preciso amar. Em cada escolha onde seja preciso optar pela eternidade. Em cada palavra que precisa de ser dita para salvar. Em cada abraço que precisa de ser oferecido para acolher. No Sim de Maria está a nossa história. Com o Sim de Maria construímos a nossa própria história.

A Comunidade Estrada Clara celebra este mês de Maria na sua paróquia, na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim. Com cânticos, meditações, silêncio e recitação do terço dedicaremos o nosso tempo a acolher este Sim de Maria. Seguem os horários das celebrações marianas orientadas pela Comunidade Estrada Clara:

– 4 de maio (5.ª feira), às 21h30

– 18 de maio (5.ª feira), às 21h30

– 25 de maio (5.ª feira), às 21h30

Colorir a Fé

O ano de 2023 é sinónimo de Jornadas Mundiais da Juventude. E ser sinónimo de juventude é olhar a vida com alento, com alegria, com ação. A Igreja põe sempre toda a esperança nos jovens e naquilo que eles podem ser. Quem lida com eles e, sobretudo, quem faz parte do seu percurso de educação e formação cristãs, sabe o quão exigente e desafiador é este mesmo caminho. Os tempos vão mudando, as atividades vão-se modificando, outras escolhas vão-se fazendo. O trabalho com jovens, em Igreja, deve ser sempre cuidado, acolhido, amado. Tendo durante muitos anos trabalhado com esta faixa etária, a Comunidade Estrada Clara congratula-se com o facto de ver que os jovens, com os seus sonhos, vontades e percursos, querem, com a sua vida, fazer da vida da Igreja uma Vida Maior. Por isso, foi com muito gosto que participamos no encontro “Colorir a Fé”, a convite das animadoras dos grupos de adolescentes e jovens da nossa paróquia (Matriz). O objetivo deste encontro foi o de sensibilizar os adolescentes e jovens dos grupos para a ligação umbilical existente entre a música e a dimensão religiosa e a forma como ambas se complementam. O encontro foi dividido em “workshops” sobre a relação entre a música e a vivência cristã. Os participantes puderam experimentar instrumentos musicais e praticar o canto e também analisaram e exploraram a ligação entre música e letra em várias canções. A Comunidade Estrada Clara orientou o workshop “Música e Espiritualidade” onde proporcionamos aos adolescentes e jovens um momento de meditação através do silêncio interior de cada um em harmonização com uma música que ouviram, tendo depois partilhado as sensações sentidas. Todos concluíram que a música é um suporte único para a oração, seja ela individual ou comunitária. Através da música que ouvimos em silêncio ou através dos cânticos que entoamos, a nossa oração torna-se mais vivida, mais bela, mais presente. E assim a nossa vida interior vai crescendo. E assim nós vamos vivendo Deus. Um agradecimento carinhoso às animadoras da nossa paróquia e o oferecimento da nossa disponibilidade para continuar a colaborar nestes encontros que são sempre caminho para o desenvolvimento integral de cada cristão.

Uma comunidade orante

Faz hoje um ano que iniciamos o “Encontro em Ti”, o momento de oração mensal, na nossa igreja Matriz e alargada à nossa comunidade paroquial. Tem sido uma experiência enriquecedora, de partilha com quem tem vindo meditar connosco e assim fazer memória e presença de um Deus que vem sempre ao nosso encontro. A oração é a base primordial na essencialidade da Comunidade Estrada Clara. Desde sempre que, como qualquer grupo cristão, privilegiamos estes momentos de meditação e de silêncio, num encontro com Ele e connosco próprios. A oração diária da Comunidade Estrada Clara surge, como compromisso comunitário, depois da nossa primeira experiência em Taizé, em 2004, ao sentirmos que a oração precisava de ganhar um espaço e um tempo inequívocos na nossa vida, que não podia ser apenas uma mera atividade semanal de grupo. Assim como somos pessoas, profissionais, pais e mães, amigos, maridos e esposas, também somos cristãos todos os dias. E ser cristão é viver Jesus no meu dia. Desde então, diariamente, em comunidade (quando é possível, juntamo-nos na nossa casa comunitária, quando tal não é possível, cada elemento medita individualmente em sua casa), temos dois momentos de oração, um de manhã e outro à noite. O esquema da nossa oração baseia-se na Liturgia das Horas, a oração pública e comunitária oficial da Igreja. A esta liturgia juntamos os cânticos, as nossas reflexões e o silêncio. Sempre o silêncio. Tão importante numa sociedade em que parece que o mais valioso é sempre o barulho, o ruído, o que fala mais alto. Há muito que descobrimos que é no silêncio e na serenidade que vamos sendo mais pessoas, que vamos conhecendo mais a nossa luz, que nos vamos tornando embaixadores do divino que vive em nós. Poder proporcionar esta nossa experiência comunitária de oração aos outros foi, desde sempre, um desejo antigo do Jorge. Por várias circunstâncias, não lhe foi possível viver, nesta dimensão, esta nossa experiência que cumpre hoje um ano. Mas como acreditamos que ele, agora com Ele, vai guiando sempre a nossa estrada, sabemos que tudo o que temos vivido é fruto dessa sua vontade em que, juntos, sejamos uma comunidade pensante e orante.