
Sexta-feira
Jesus, caminho para a paz
Jesus nasce no meio de nós, é Deus-connosco. Vem para acompanhar a nossa vida quotidiana, partilhar tudo connosco, alegrias e amarguras, esperanças e inquietações. Vem como menino indefeso. Nasce ao frio, pobre entre os pobres. Carecido de tudo, bate à porta do nosso coração para encontrar calor e abrigo.
Como os pastores de Belém, deixemo-nos envolver pela luz e saiamos para ver o sinal que Deus nos deu. Vençamos o torpor do sono espiritual e as falsas imagens da festa que fazem esquecer Quem é o Festejado. Saiamos do tumulto que anestesia o coração induzindo-nos mais a preparar ornamentações e prendas do que a contemplar o Evento: o Filho de Deus nascido para nós.
Irmãos, irmãs, voltemo-nos para Belém, onde ressoa o primeiro choro do Príncipe da paz. Sim, porque Ele mesmo – Jesus – é a nossa paz: aquela paz que o mundo não se pode dar a si mesmo e Deus Pai concedeu-a à humanidade enviando o seu Filho ao mundo.
Jesus Cristo é também o caminho da paz. Com a sua encarnação, paixão, morte e ressurreição, abriu a passagem de um mundo fechado, oprimido pelas trevas da inimizade e da guerra, para um mundo aberto, livre para viver na fraternidade e na paz. Irmãos e irmãs, sigamos este caminho! Mas, para o podermos fazer, para sermos capazes de seguir os passos de Jesus, devemos despojar-nos dos pesos que nos enredam e bloqueiam.
Se queremos que seja Natal, o Natal de Jesus e da paz, voltemos o olhar para Belém e fixemo-lo no rosto do Menino que nasceu para nós! E, naquele rostinho inocente, reconheçamos o das crianças que, em todas as partes do mundo, anseiam pela paz. O Senhor nos torne disponíveis e prontos para gestos concretos de solidariedade a fim de ajudar todos os que sofrem, e ilumine as mentes de quantos têm o poder de fazer calar as armas e pôr termo imediato a esta guerra insensata!
Irmãos e irmãs, Belém mostra-nos a simplicidade de Deus, que Se revela, não aos sábios e entendidos, mas aos pequeninos, a quantos têm o coração puro e aberto (cf. Mt 11, 25). Como os pastores, vamos também nós sem demora e deixemo-nos maravilhar pelo Evento incrível de Deus que Se faz homem para nossa salvação. Aquele que é fonte de todo o bem faz-Se pobre e pede de esmola a nossa pobre humanidade. Deixemo-nos comover pelo amor de Deus e sigamos Jesus, que Se despojou da sua glória para nos tornar participantes da sua plenitude.
Papa Francisco in “Benção Urbi et Orbi – Natal 2022 (25.12.2022)”
Sábado
E se o Natal for tudo isto?
E se o Natal for um recomeço? Talvez este seja o seu significado. E, assim, não nos dedicamos a festejar o que já aconteceu, mas sim aquilo que pode vir a acontecer. Se o Natal for um recomeço, então este tempo é uma oportunidade para festejarmos o que ainda podemos vir a ser. Se o Natal for um recomeço, então andamos a brilhar de esperanças.
E se o Natal for uma eterna novidade? Talvez o Natal seja o tempo em que nos dedicamos ao velho para podermos abraçar o novo. Se o Natal for uma eterna novidade, então andamos a festejar a possibilidade de nada ser dado por terminado. Se o Natal for uma eterna novidade, então andamos a celebrar a certeza de que haverá sempre algo para descobrir em nós, nos outros e em Deus.
E se o Natal for para dar espaço? Talvez o Natal seja a altura ideal para revisitarmos as nossas sombras. Se o Natal for para dar espaço, então andamos a festejar a nossa inteireza. Se o Natal for para dar espaço, então andamos a celebrar a alegria de sabermos que Deus encarna em toda a nossa história. Se o Natal for para dar espaço, então andamos a rejubilar pela novidade de saber que não há nada na nossa história que não possa ser abraçado por este Deus que quer estar connosco.
E se o Natal for para contemplar? Talvez este seja o grande convite desta época. É o tempo onde devemos treinar o nosso olhar. Se o Natal for para contemplar, então é a altura de olharmos com atenção aqueles a quem ninguém permite recomeçar. Se o Natal for para contemplar, então é chegada a hora de olharmos, sem julgamentos, para os que andam em busca. Se o Natal for para contemplar, então talvez tenha chegado o tempo de percebermos que Deus nos visita através dos inesperados, dos últimos, dos que ninguém espera.
E se o Natal for tudo isto? Talvez o Natal seja tudo isto. Um tempo onde o recomeço nos encaminha para esta novidade: a de a nossa vida ganhar espaço na contemplação do que somos e, dessa forma, descobrirmos onde nasce, todos os dias, este Deus-Menino. Este Deus que não se cansa de querer estar connosco.
Emanuel António Dias in “imissio.net”