Iniciamos, amanhã, a Semana Maior, aquela que abarca um misto de dias de alegria imensa e de tristeza profunda, de certezas mil e de inquietações quase inumeráveis. A partir de amanhã, acompanharemos, passo a passo, os últimos dias de Jesus e aquele que é, em cada ano, o sempre nosso primeiro dia. Por que precisamos, hoje, de viver estes dias tão grandes? Porque todos eles são espelho de uma vida vivida em amor, em partilha, em escolhas.
Esta Semana Maior, tantas vezes contada com passos firmes e nomes sonantes, guarda nas suas margens um outro Evangelho, um Evangelho de gestos discretos, de permanências teimosas, de fidelidades que não fugiram quando tudo parecia desmoronar. Esse Evangelho tem rosto de mulher…
Foram elas que ficaram quando muitos partiram. Foram elas que observaram, que choraram, que cuidaram, que prepararam. Foram elas que souberam esperar no escuro da madrugada e reconhecer a Vida quando ainda era apenas um sussurro. E, no entanto, tantas vezes o seu lugar foi sendo empurrado para rodapés da história, como se a coragem pudesse ser medida pelo volume da voz e não pela profundidade da entrega.
Falar das mulheres no Cristianismo é, por isso, não só um exercício de memória, mas também de justiça. É recuperar o fio invisível que sempre sustentou a fé vivida, encarnada, concreta. É reconhecer o pioneirismo silencioso de quem abriu caminhos sem pedir licença, muitas vezes sem sequer saber que o estava a fazer.
Por isso, a partir de amanhã, partilharei convosco, aqui, um texto diário escrito na visão daquelas mulheres que acompanharam Jesus nos seus últimos dias. São as minhas palavras fruto de um tempo de oração, de meditação, de estudo. Vamos caminhar com o olhar destas mulheres para aprender com elas a reconhecer quem somos e quem, hoje, como elas, continua a acompanhar Jesus nas suas comunidades, nas suas casas, nos silêncios e nos lugares onde a fé se faz vida.
Aceitem este nosso convite e venham caminhar nesta nossa Estrada Maior, nesta Semana Santa.
Um abraço amigo!
Ana 🌻
