“Este é o dia que o Senhor fez. Nele exultemos e nos alegremos.”(Salmo 117)
Hoje o dia é de festa, de alegria, de gratidão! Os nossos doze formandos do segundo grupo da Formação Cristã de Adultos recebem o Sacramento da Confirmação. Destes doze, dois elementos serão também batizados. De outubro de 2022 a junho de 2023, às sextas-feiras, das 21h30 às 23h, na paróquia da Matriz (Póvoa de Varzim), este grupo foi fazendo o seu percurso na descoberta de um Deus que é Amor e presença em cada um de nós, construindo assim o início de uma fé adulta, pensada e experimentada, concreta, vivida em ações, participada no quotidiano e celebrada em comunidade. Ao longo destes cerca de 30 encontros, procuramos dar a conhecer o que significa, nos dias de hoje e no contexto da nossa sociedade, saber ser cristão comprometido, esclarecido, com um propósito de vida consciente e com a concretização da dimensão comunitária.
Hoje o dia é nos dado pelo Senhor! Dia de festa porque há que celebrar as escolhas de vida que são feitas, a família cristã e comunitária onde os abraços são sempre amigos. Dia de alegria por uma etapa que se conclui e que abre novas perspetivas para o futuro de compromisso com a Vida que cada um destes jovens adultos quer construir. Dia de gratidão pelos caminhos que foram sendo partilhados e pelas descobertas que foram sendo percecionadas na construção de um modo novo de viver o Deus que me ama e que me faz ser mais pessoa. Hoje o dia tem todas estas cores, tem o hino da esperança que nos guia, tem a luz que nos faz cantar um Deus sempre novo e ressuscitado.
Hoje o dia é da Fátima, da Inês, da Joana, da Joana, da Letícia, da Letícia, do Márcio, do Pedro, do Ricardo, da Rute, da Telma e da Verónica. Este é o dia que o Senhor lhes oferece para que, a partir de hoje, possam seguir os seus caminhos com a presença de um Deus vivo, com mais reflexão, com mais compreensão, com mais partilha. Este é o dia que todos eles escolheram. Hoje é um dia de Luz! Alegremo-nos com todos estes jovens adultos e com as suas famílias, exprimindo a nossa imensa gratidão por termos partilhado estes encontros de reflexão, de crescimento, de cultura. Hoje é um dia de Luz!
Texto de Ana Luísa Marafona, Comunidade Estrada Clara
“Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos céus.” (do Evangelho de São Mateus, Mt 19, 21)
A passagem tão conhecida do jovem rico é a história de uma inquietação, de uma procura, de um desejo em busca de uma resposta, de uma insatisfação. É a narrativa de um homem que tudo tinha, mas que não era livre, precisamente porque estava totalmente preso àquilo que possuía, isto é, ele era dominado por aquilo que tinha. E aquilo que possuía, por si só, não era mau, mas impedia-o de se dar, de estar atento aos outros, de se multiplicar, de compreender a totalidade da vida e de aceder ao significado último da transcendência. Este jovem tinha tudo. Segurança financeira, posicionamento social, reconhecimento entre os pares. Ainda assim, havia algo que lhe faltava. E ele foi à procura. Foi ter com Jesus. Precisava de sarar aquele seu vazio existencial.
A inquietação deste jovem é também a nossa inquietação. Ele possuía todos os meios necessários para viver, mas não tinha encontrado os propósitos necessários para viver. Ele tinha com o que viver, mas não tinha pelo que viver. Aquilo que ele possuía também nós tantas vezes possuímos, não a riqueza material, mas sobretudo outras riquezas terrenas que carregamos no nosso coração e que nos impedem de darmos espaço ao que realmente importa. Aquele jovem sentia que algo lhe faltava. Cumpria todas as obrigações, respeitava todas as leis, seguia todos os preceitos. Mas algo lhe faltava. E num ato de coragem e de ousadia, vai ter com Jesus e questiona-o: “O que me falta ainda?”. Há aqui um grito de ajuda, um pedido de orientação e um reconhecimento de Jesus como pessoa de sabedoria. Então, Jesus diz-lhe algo que não voltou a repetir a ninguém: “Vai, vende tudo o que tens e distribui o teu dinheiro pelos pobres.” A Jesus não lhe interessava a riqueza material do jovem. A Jesus interessava-lhe conseguir mostrar ao jovem que a sua vida, da forma com ele a vivia naquele momento, estava limitada apenas ao material, à posse e que, no seu coração, faltava-lhe espaço para Deus e, consequentemente, para os outros. Jesus não condenou a riqueza do jovem; Jesus mostrou-lhe que para aceder à verdadeira riqueza, seria necessário deixar o que não interessava para trás. As palavras de Jesus revelam ao jovem que a sua vida estava totalmente preenchida com a efemeridade e, por conseguinte, ele sentia que algo lhe faltava.
A resposta que Jesus dá à interpelação do jovem é um hino à dádiva e à liberdade, não é uma condenação nem um julgamento. Jesus começa por dizer-lhe: “Vai, vende tudo o que tens”, isto é, desprende-te, torna-te livre, rejeita o que te diminui. E imediatamente a seguir, Jesus afirma: “Dá o que tens aos pobres e terás um tesouro no céu”, isto é, coloca a tua vida, os teus dons ao serviço dos outros, torna-te espaço de acolhimento, lugar de empatia, abraço de comunhão. Pratica a gratidão, a atenção para com os teus irmãos, dá-te em palavras, em gestos, em canções. Prepara o futuro com quem precisa de ti, constrói caminhos de partilha, encontra-te na relação. Só assim a vida é verdadeiramente vida. Só assim alcançaremos a vida eterna. Só assim compreenderemos o tesouro que nos aguarda. O que não se dá, perde-se. A vida partilhada, a comunidade, a dádiva são as grandes lições que Jesus nos deixou. Cada um de nós é sempre chamado a ser mais na relação que constrói com os outros. Ninguém é pessoa sozinho. Ninguém é cristão sozinho. Somos o que somos na relação, na entrega, no desprendimento de nós próprios.
Esta interpelação de Jesus ao jovem rico é de uma atualidade inegável. A propósito desta passagem do Evangelho de Mateus, diz-nos o Cardeal Tolentino: “Para eu escolher uma coisa tenho de deixar outras, não posso levar tudo. A vida espiritual não é um grande carro de mudanças, é uma bicicleta. O homem e a mulher espiritual andam de bicicleta, não andam de camião a querer levar tudo atrás de si. Nós temos de carregar connosco aquilo que cabe numa bicicleta, a vida mínima, o essencial.” A experiência da dádiva está condicionada por uma série de prisões que nós colocamos a nós próprios e que nos impedem, tantas vezes, de sermos livres. A própria sociedade, marcada pelo consumo e pelo défice ao nível da espiritualidade, rejeita este modelo de serviço, de oferta, de dom que Jesus nos propõe. Esta radicalidade saudável que Jesus nos urge a seguir é posta em causa pelas normas sociais e por uma sociedade que proclama, tantas vezes, a vitória do egoísmo acima do bem comum, deturpando aquilo que deveriam ser as nossas escolhas significativas. Não deveria ser mais fácil dizer sim a uma proposta de trabalho que fará de nós diretores de uma empresa do que dizer sim a um convite para um simples ensaio para animar uma missa. Não deveria ser mais aceitável possuir o último modelo de telemóvel do que usar uma parte desse dinheiro gasto para pagar a inscrição de um jovem nas Jornadas. Não deveria ser mais admissível faltar às aulas porque no dia anterior tivemos uma festa que acabou na discoteca do que faltar às aulas porque no dia anterior a nossa paróquia promoveu um Lausperene de 24 horas e o meu grupo foi o responsável pela atividade noturna. Não deveria ser mais percetível ficar mais de uma hora numa fila numa loja para comprar um produto exclusivo da moda recente do que estar quinze minutos em silêncio e em meditação. Não deveria ser mais compreensível emigrar para o estrangeiro para se trabalhar do que ir para aqueles países tão carentes de África para ajudar quem precisa. Não deveria ser mais claro gastar dias de férias para meu único proveito do que usar alguns desses dias para acompanhar os jovens num retiro ou num campo de férias. Não deveria ser mais óbvio obter “gostos” nas redes sociais com a publicação de textos de empoderamento e facilitismos do que com este texto que agora vos escrevo.
Há tanto que se perde nestas escolhas muito pouco comunitárias que se fazem. E há tanto que se ganha quando contrariamos a corrente de uma sociedade que promove apenas a satisfação individual, que valoriza o “eu” em detrimento do “nós”. O irmão Roger dizia, com toda a sua sabedoria, na última carta que deixou escrita, que nada de duradouro se constrói na facilidade. O papa Bento XVI também nos alertava de que o entusiasmo inicial é sempre o mais fácil. O Papa Francisco outra coisa não faz a não ser despertar a Humanidade para o cuidado com o tesouro que é a vida de cada um de nós. E com as escolhas que fazemos. Em cada dia.
A juventude é o espaço privilegiado do questionamento. Neste contexto, convoco aqui os nossos acantonamentos em São João d’ Arga, Caminha, uma das experiências mais gratificantes que pudemos viver e que pudemos proporcionar aos adolescentes e jovens que connosco vinham. Uma semana, sempre com uma média de 20 jovens juntamente com os seus animadores, num mosteiro degradado, sem luz elétrica, sem comodidades, mas rodeados de uma paisagem magnifica e brindados com um céu estrelado todas as noites. Nessa semana, havia lugar e tempo para conversas, para tarefas caseiras, para partilhas, para jogos, para passeios, para mergulhos nas lagoas, para orações, para refeições deliciosas, para trabalhos manuais. Nessa semana, os jovens viviam na simplicidade, desligados dos telemóveis, das distrações citadinas, das roupas da moda, dos jogos da playstation, dos horários repletos de escola, explicações e desportos. Havia espaço e tempo para se descobrirem, para fazerem o exercício de estarem consigo mesmos e com os outros, porque ninguém é pessoa sozinho. Penso muitas vezes que o jovem rico teria sido feliz com uma experiência destas, ele que tinha tudo e, ao mesmo tempo, tudo lhe faltava.
A mensagem de Jesus Cristo não nos vem aplanar o caminho, mas vem nos ajudar a compreender quando esse nosso caminho não é assim tão plano. A mensagem de Jesus Cristo não nos vem libertar das dúvidas, mas vem trazer-nos a serenidade necessária para as aceitarmos. A mensagem de Jesus Cristo não nos cura as doenças do corpo, mas cura-nos as doenças da alma. Os Evangelhos nada nos dizem se, tempos mais tarde, aquele jovem teria voltado. Se teria refletido acerca daquilo que Jesus lhe disse. Se teria até mudado de vida. Esta passagem do jovem rico mostra-nos que amar as coisas é uma capacidade humana, mas amar a Humanidade é um dom divino. E é sempre nossa a vontade e a decisão de querer viver com sentido, com coragem, construindo o futuro e dando futuro. Depende de mim, de ti, das minhas e das tuas escolhas. Cada um de nós é responsável por enfrentar, nos nossos contextos, o egoísmo, a indiferença, o materialismo que a sociedade nos quer impor. Que saibamos escolher sempre o Amor, sem cálculos nem provas. Que saibamos guardar o nosso coração para o que é amável, luminoso, maior. Que saibamos anunciar a gratidão, a esperança, a comunhão. Termino com as palavras sábias do nosso sempre querido Vergílio Ferreira: “O amor acrescenta-nos com o que amarmos. O ódio diminui-nos. Se amares o universo, serás do tamanho dele.”
No fim de semana 21 e 22 de maio, a Comunidade Estrada Clara orientou, na Quinta Juvenil dos Salesianos, no Porto, um retiro para o grupo ELOI, os jovens do 10.º ano da paróquia da Matriz (Póvoa de Varzim). Em preparação para o sacramento do Crisma, estes dias foram dedicados à descoberta do Projeto que Deus tem para cada um de nós, projeto este sempre único e irrepetível. Durante a manhã de sábado, houve lugar para um momento de oração, para a dinamização do tema “Escolhas” – a partir de um texto retirado do livro “Ética para um Jovem”, de Fernando Savater – e para um tempo de reflexão individual acerca das seguintes questões: o que foi e é mais fácil e mais difícil, para ti, nos teus processos de escolhas; de que modo os grupos em que vives (família, turma, igreja, desporto, música) refletem as tuas escolhas. Depois do almoço, o tema abordado “O Espírito que nos faz ser” foi um espaço privilegiado para se conhecer melhor o sacramento da Confirmação, com especial enlevo dado aos dons do Espírito Santo. Em seguida, os jovens formaram grupos onde trabalharam esses dons, o seu significado e o seu modo de atuar na vida de cada cristão. Depois do jantar, cada grupo apresentou os seus trabalhos e viveram-se momentos de muita criatividade, alegria e surpresa! No domingo, o retiro encerrou com a Eucaristia, animada pela Comunidade Estrada Clara com os jovens, e celebrada pelo pe Ruben Cruz.
A Comunidade Estrada Clara agradece, com muita gratidão, o convite das animadoras Mariana, Ciliana e Alexandra. Parabéns pela vossa entrega e dedicação a estes jovens ao longo de 4 anos tão exigentes. Agora, é hora do Futuro! Que juntos possamos continuar a fazer um caminho de Luz, de descoberta e de alegria n’Aquele que é tudo em nós!
No próximo domingo, estes jovens do grupo ELOI vão ser confirmados e recebidos na Igreja como cristãos em construção, em caminho. E isto porque o Sacramento da Confirmação não é o encerrar de uma etapa, mas sim o início de um caminho novo, de uma forma mais consciente e mais adulta de viver a fé cristã. Parabéns a este grupo pelas suas partilhas, pelas descobertas e pela alegria de acreditar neste Deus e em cada projeto seu.
O Jorge faz anos. Ele é toda a teimosia encarnada num metro e oitenta de altura, as gargalhadas vivas e duradouras espalhadas num corpo sempre moreno, o rosto barbudo e sério a encarar, com respeito, a grandiosidade da vida que acontece.
O Jorge faz anos. Ele é a música plena que envolve, as palavras cantadas e partilhadas em tantas e tantas vozes diferentes, a inquietação constante pelas notas a descobrir em cada canção.
O Jorge faz anos. Ele é a sensibilidade de um abraço forte que é sempre casa que acolhe, a ousadia de viver constantemente em alturas que ninguém suporta, a sorte grande deste encontro eterno que é o nosso.
O Jorge faz anos. Ele é caminho desafiante por entre subidas às altas montanhas e descidas até às águas frescas, uma conversa longa em altas horas, uma evangelização atrativa sem medos nem hesitações.
O Jorge faz anos. Ele é o verbo ir e seguir sem olhar para trás, o encantamento do silêncio no meio do ruído e da agitação, a procura incessante das estrelas mais brilhantes nas noites frias em São João.
O Jorge faz anos. Ele é a exigência de uma vida com sentido, a negação das futilidades ocas, a mão que se estende para que caminhemos à descoberta de quem somos.
O Jorge faz anos. Ele é o ataque de riso incontrolável nas nossas tantas viagens de carro, a psicologia humana e empática espiritualizada, todos os tantos livros aconchegados nas nossas estantes.
O Jorge faz anos. Ele é o azul de todas as roupas, as caminhadas pensativas dos entardeceres de Verão, as plantas que vivem em vasos mil.
O Jorge faz anos. Ele é o canto das crianças nas festas grandes das comunhões da Paróquia, as danças alegres dos nossos musicais nos palcos, os poemas profundos e interpelantes do seu querido Torga.
O Jorge faz anos. E hoje é um dia feliz. Muito feliz. Um dia de saudades inquietantes, mas de muito amor sereno a transbordar. Sempre. Sempre o amor que nos juntou, que se multiplica e que nos continua a levar por esta nossa Estrada Clara. Por tudo isto, seguimos. O maior presente deste aniversário fomos nós que o recebemos! Então, agora, é tempo de preparar a festa! Vamos! Viva a Vida! A Vida toda para toda a Vida!
Deixamos aqui os registos do terceiro encontro “Falar para CRER”, organizado pela paróquia da Matriz em colaboração com a Comunidade Estrada Clara. Este encontro aconteceu no dia 26 de abril e o tema foi “Maria, mãe de Deus – humanidade e divindade”. Com o propósito de preparamos, em comunidade, o mês mariano, neste terceiro encontro, fizemos a leitura trabalhada de uma homilia do papa Francisco, na qual ele nos apresenta Maria como figura humana e divina e, como tal, um exemplo para cada um de nós que com ela partilhamos a mesma humanidade e a essência divina que nos foi dada por Deus. Em seguida, como já vem sendo habitual, em pequenos grupos, os participantes do encontro foram convidados a refletir acerca de duas questões: de que forma a figura de Maria é, para mim, uma referência na minha caminhada cristã; em termos práticos, quais são as “pressas” que me movem na minha prática cristã. Por fim, em grande grupo, todos partilharam as suas reflexões.
Hoje teremos o quarto encontro “Falar para CRER”. Depois de um interregno de um mês no qual a paróquia esteve dedicada à celebração do mês mariano, regressamos com este espaço de partilha e de reflexão que é o “Falar para CRER”. Nestes encontros, partindo das vivências de cada cristão, refletimos acerca da atualidade da mensagem cristã e pensámo-la na vida concreta do dia-a-dia, fazendo-a acontecer em atitudes, em ações, em projetos. E em comunidade, em partilha, as ideias fluem de um modo mais construtivo e comum e vamos crescendo em conjunto, alicerçados numa fé trabalhada, adulta, esclarecida e, assim, mais próxima de um Deus que nos quer pessoas inteiras e sempre Ressuscitadas!
Os encontros “Falar para CRER” estão sempre abertos a todos os agentes da Pastoral (Catequistas, Jovens, Conselho Pastoral Paroquial, Leitores, Grupos Corais, Confrarias) das comunidades paroquiais. Não é necessária inscrição. 4.º Encontro “Falar para CRER” – 21 de junho de 2023 (4.ª feira), das 21h às 22h30, no Salão Paroquial da Matriz (Póvoa de Varzim)
📷Nota-se muito que este era um dos poemas preferidos do Jorge? Escrevia-o muitas vezes, em mensagens que enviava, em livros que oferecia, em listas de compras, em rascunhos, em faturas de contas para pagar. Devem estar a ser fascinantes as conversas entre estes dois (bem, se contarmos com os heterónimos serão muitos mais!). ⭐
Hoje celebramos os 135 anos de Fernando Pessoa.
Não somos Pessoa(s) sem a poesia pura, sem as palavras certeiras, sem as perguntas longas.
Não somos Pessoa(s) sem o futuro que nos acontece, sem os sonhos pedidos, sem as viagens vividas.
Não somos Pessoa(s) sem as inquietações persistentes, sem as interrogações constantes, sem as dúvidas hiperativas.
Não somos Pessoa(s) sem os rebanhos, sem as cidades em transformação e sem as horas de lazer.
Não somos Pessoa(s) sem os nossos sentidos, sem os pensamentos vibrantes e sem as luzes brilhantes.
Não somos Pessoa(s) sem as mensagens, sem o Quinto Império e até sem o Nevoeiro.
Não somos Pessoa(s) sem os nossos deuses diários, sem a criação magnífica, sem os aniversários por celebrar.
Não somos Pessoa(s) sem o desassossego, sem a nostalgia e sem a realidade dos sentidos.
Não somos Pessoa(s) sem aquelas tardes demoradas de Verão, sem a liberdade de poder não cumprir um dever, sem a inteireza do que escolhemos.
Não somos Pessoa(s) sem os cansaços acumulados, sem as frustações angustiantes, sem o arrebatamento da natureza.
Não somos Pessoa(s) sem os exageros imensos do sentir, sem a Lídia que connosco se senta a contemplar a vida, sem aquelas máquinas que quando precisamos nem sempre funcionam.
Não somos Pessoa(s) sem o nosso Mar salgado, sem o sebastianismo português, sem as horas de regresso à vida que nos acontece.
Hoje celebramos Pessoa. Hoje celebramos isto de sermos Pessoa(s). Hoje somos mais porque escolhemos ser imensos na Luz que escolhemos dar. Hoje somos mais felizes porque deixamos que esta Luz brilhe. No nosso Pessoa. Nas nossas Pessoa(s).
Viva Fernando Pessoa! Viva a Vida! Viva as Pessoas que vivem em nós. Sempre e para sempre!
Texto de Ana Luísa Marafona, Comunidade Estrada Clara
“Confia no Senhor, põe nele a tua esperança” (Salmo 37)
Para o padre Avelino, para a Rute e para a Sofia. Abraço-vos com este texto.
A semana passada foi dura, terrena, perturbadora. Um meu amado irmão de coração recebeu a dolorosa notícia da partida do Pai para a Eternidade. Uma estimada irmã na nossa comunidade soube que o Pai está a viver os seus últimos dias terrenos. Uma outra querida amiga está a viver uma situação difícil causada pela descoberta recente da doença da Mãe. Eu, que me julgava já doutorada em sofrimento e morte, senti-me abalada por estes acontecimentos. Há uma identificação e empatia imediatas. Encontro nas palavras destes meus amigos tantas das minhas próprias palavras. Vejo nos seus gestos de dor aqueles que foram os meus próprios gestos. Nas suas lágrimas o meu choro. Nas suas incompreensões as minhas questões. Nas suas dúvidas as minhas incertezas.
O sofrimento daqueles que amamos é, sem dúvida, a maior das nossas provações. A nossa resiliência, a nossa esperança, as nossas crenças são colocadas à prova. Vivemos a impotência, a incompreensão, a injustiça. Não é fácil passarmos a habitar em circunstâncias cruas e dolorosas e a ter de reconstruir projetos que até então julgávamos inabaláveis. Não se fica a mesma pessoa depois de experimentarmos a doença e a morte de quem amamos. Deixamos de saber como se contam os dias, os meses e os anos a partir de então, durante algum tempo passa-se a viver numa dimensão paralela, passamos a conviver com medicamentos e receitas, as tarefas práticas do dia-a-dia não se importam com a nossa vontade de quietude e passa-se a olhar para o mundo com um sentimento de desapego e de efemeridade. Mas é precisamente neste buraco negro de dor que Deus aparece para nos levantar. Parece contraditório, mas se nesses momentos de maior dor procurarmos este Deus que nos ama, acabamos por sentir uma força que é claramente inexplicável aos olhos humanos. No meio da morte, a vida é sempre mais. Sempre! Mais forte, mais soberana, mais dominante. A vida continua a fluir e é possível viver esta força de Deus mesmo quando tudo à nossa volta parece ruir. Parece ser algo paradoxal, mas esses tempos duros que atravessamos vão permitir a reconstrução de quem seremos. O cuidado, a atenção, as preocupações reescrevem a nossa história de Amor.
Por isso, ter fé num Deus não nos liberta de preocupações, não nos poupa a situações difíceis, não nos aplana o caminho. Acreditar num Deus não nos resolve todas as questões, não nos livra das incertezas, não nos torna imunes ao sofrimento. Para quê então acreditar? Eu acredito porque seria inconcebível uma vida que fosse por si só limitada a um tempo e a um espaço. Eu acredito porque o Amor que sinto por aqueles que são meus é demasiado grande para não poder ser eterno e perdurar para além da morte. Eu acredito porque Deus continua a revelar-se de cada vez que eu o procuro nas palavras, na criação, na música, no encontro, na empatia, no espanto, na descoberta. Eu acredito porque, pela ressurreição de um Deus vivo, eu sei que Ele me espera numa Eternidade feliz. Eu acredito porque todo o sofrimento, dor e incompreensão que todos nós vivemos não têm a última palavra. Eu acredito porque só é possível viver assim.
O confronto com a finitude (nossa e dos outros) também nos impele a viver mais, a agradecer mais, a ser mais. A viver o presente que é o presente de cada dia. A bendizer o passado e a projetar o futuro. A não lamentar o que aconteceu e a não criar expetativas futuras ilusórias. Viver o presente do presente. Não podemos evitar a dor da morte e o sofrimento naturalmente inerente a estas tragédias. Mas podemos confiar. Acreditar. O Amor não morre. Vive em cada um de nós que o aceitamos. Vive quando escolhemos ser Luz!
Quem ama, sente. Chora. Entristece-se. Vive a dor dura e crua. Questiona-se. Mas quem ama, também acredita. Mesmo quando nada se vê. Quem se deixa levar pelo Amor, vê tudo. Porque o Amor vence tudo o que é limitado, confuso, incongruente. Porque o Amor é sempre mais forte do que todas as nossas incompreensões, interrogações, frustrações. Por isso, não nos deixemos ficar no desespero, na tristeza, na apatia. “O desânimo, o cansaço, a fatalidade, a desesperança, a desistência, isso não pode triunfar no teu coração” (Cardeal José Tolentino Mendonça in Homilia na Vigília Pascal). Ser cristão é confiar que, mesmo nas situações mais dramáticas da nossa existência, nós nunca estamos sozinhos. E confiar implica sempre querer ver o que não se vê para então se poder ver.
A dor não se ultrapassa porque não se trata de nenhum campeonato. A dor não se vence porque não se trata de nenhuma luta. Não há aqui um processo de vencedores nem vencido. A dor atravessa-se porque faz caminho connosco. A dor enfrenta-se porque a colocamos à nossa frente para poder transformá-la. Guardar rancores, lutos, sofrimentos durante muito tempo só tem como resultado um coração pesado, amargurado, duro. A dor acontece para ser reconstruída em algo maior, sereno, apaziguador. E embora seja um processo difícil, é um acontecimento possível e necessário para nos salvar. Só assim a dor nos salva, se lhe atribuirmos um significado que nos projete no futuro, que nos faça viver.
Como cristãos que somos temos de assumir o que somos, a nossa essência, a nossa identidade, o entendimento da vida enquanto passagem para uma vida maior. Como cristãos que somos, procuremos em nós essa esperança que nos faz seguir viagem por mais conturbadas que as circunstâncias possam ser. Como cristãos que somos, entreguemo-nos nas mãos e no coração de um Deus que só nos quer bem. Como cristãos que somos, sejamos ousados em testemunhar que só podemos viver a e na esperança! A esperança cristã não é um sentimento infantil, momentâneo, automático naquele sentido em que se diz, em qualquer circunstância e tantas vezes de forma leviana, “vai correr tudo bem”. A esperança não ignora o enigma e o absurdo da existência, mas antes integra em si a própria desesperança. A esperança cristã é a certeza de que, aconteça o que acontecer, há um Deus que nos acompanha e que, por isso, a vida que nos é dada viver é sempre maior! A esperança cristã entra, muitas vezes, em contradição com a realidade que nos rodeia porque a própria mensagem de Jesus Cristo é fonte de contradição para um mundo que se apresenta como terreno, limitado, egoísta, calculista e esquemático. A esperança cristã é um encorajamento dirigido a cada um de nós no meio das adversidades. É um desafio a transcendermos a nossa própria existência e a abrirmo-nos ao cuidado de Deus. Somos peregrinos de mãos vazias, mas de olhos erguidos para o Alto, vivendo esta esperança que nos libertará das nossas dúvidas, medos, ansiedades. A esperança cristã não se baseia em garantias, mas exige dos cristãos uma verdadeira radicalidade.
Ser cristão é exigente porque sou chamado a trabalhar-me, a ir por caminhos por onde a maioria não vai, a ver com outros olhos uma realidade tantas vezes árdua e incompreensível. Mas ser cristão também é termos consciência do privilégio que é vivermos uma dor acompanhada por um Deus que nos abraça. Não somos fruto do acaso. Não somos acidentes de percurso. Não somos percalços da natureza. Somos, desde toda a eternidade, seres únicos na sua individualidade e amados por Deus. Tudo o que somos, o que escolhemos, o que nos acontece, o que experimentamos, o que rejeitamos, o que aceitamos faz parte da nossa identidade, da nossa história. O modo como eu lido com o que me acontece é o que me constrói. Por isso, como cristão, quero escolher ver e viver com esperança. Como cristão quero encontrar Deus nos momentos bons e menos bons da minha existência. Deus precisa do nosso testemunho de cristãos nas nossas circunstâncias mais desafiadoras, mais rigorosas, mais exigentes. É nesses momentos que Ele está mais presente e é, muitas vezes, aí que o podemos anunciar ao mundo com mais verdade, com mais plenitude, com mais concretude. Nos meses seguintes à morte do Jorge, enquanto eu e a minha comunidade nos íamos reconstruindo numa existência nova, numa das minhas meditações, surgiu-me a seguinte frase, que, hoje, muito a uso como oração diária: “Senhor, não sei o que me espera, mas sei que Tu me esperas sempre naquilo que eu não esperava.” Entreguemos a Deus tudo o que somos. Viver a esperança cristã não é não ter medo ou não o sentir. É antes aceitar essas dores e colocá-las nas mãos de Deus. E esperar contra toda a esperança, como nos diz São Paulo numa das suas Cartas. O Filho de Deus fez-se Homem para nos acompanhar em tudo, até mesmo nas nossas sombras e medos. Na sua morte na cruz está toda a dor que cada um de nós experimenta. Não estamos sozinhos. Mesmo na mais profunda das tristezas, há sempre aquela Luz que não se apaga. Essa Luz tem um nome – Jesus. Essa Luz tem um rosto – os nossos próximos (família, amigos, comunidade). Essa Luz tem uma força intensa – a do Amor. Essa Luz tem uma duração plena – a da Eternidade. “Confia no Senhor, põe nele a tua esperança”.
Texto de Ana Luísa Marafona, Comunidade Estrada Clara
“Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que eu realizo.” (do Evangelho segundo São João – Jo 14, 12)
As palavras dos Evangelhos são verdadeiras pérolas de sabedoria. Creio que se os cristãos as conhecessem melhor, se lhes dedicassem tempo e pensamento, se as procurassem mais, melhor compreenderiam a vida e as suas circunstâncias. As palavras que os Evangelhos nos trazem traduzem-se em vida, em luz para as nossas sombras. Por isso, as circunstâncias alegres e dolorosas que todos nós, sem exceção, experimentamos adquirem um significado renovado quando são lidas e amadas à luz da mensagem de Jesus Cristo.
Este versículo, retirado do Evangelho de São João, é uma das promessas que Jesus nos faz. Todo aquele que acreditar será capaz de realizar as suas obras, ampliando-as no tempo e no espaço. A condição que Jesus nos apresenta para que tal se concretize é a de acreditar, a de querer construir uma vida de fé, a de querer estar disponível para o que o Espírito de Deus nos quer revelar e para os sinais através dos quais a vida nos fala. Esta condição de acreditar implica sempre colocar a nossa confiança em Deus, sentido e vivendo em nós tudo aquilo que Ele nos faz. Aceitando este estado de confiança e escolhendo vivê-lo no nosso quotidiano, seremos, então, seus discípulos, percorreremos juntos os seus caminhos e continuaremos as suas obras.
Quando aceitamos aceder a este nível de acreditar, conseguimos passar da morte para a vida. Quando escolhemos viver em nós este modo de acreditar, a vida volta a encontrar-nos, mesmo depois de a termos perdido. Quando assumimos, no nosso dia-a-dia, que queremos acreditar, surge então aquela alegria que nos salva e nos ressuscita.
Este modo de viver na e em confiança esteve presente nas primeiras comunidades cristãs descritas no Novo Testamento. No entanto, estes modelos de comunidade (com todos os seus defeitos e virtudes!) não são meras recordações do passado que servem apenas para lembrar o que já foi. Estas comunidades constituídas pelos seguidores da mensagem de Jesus Cristo continuaram a ser feitas ao longo dos tempos. Hoje, nas nossas circunstâncias, nos nossos contextos, nos nossos espaços, nós somos estes discípulos a quem Jesus faz uma promessa de eternidade plena. Sim, também nós faremos as suas obras. Sim, também nós concretizaremos, em gestos e ações, a mensagem de uma vida em Amor que Ele nos ofereceu. Sim, nós somos estes novos discípulos. Temos um nome, uma história, um lugar.
Deus deu ao Homem total liberdade de escolha, nunca impondo nada. Por isso, podemos escolher segui-lo e viver a sua mensagem de forma concreta ou não. Quando recusamos seguir os caminhos que Deus nos propõe, não há espaço para a presença de um Deus vingativo ou ciumento, castrador ou desrespeitador da liberdade humana. Deus só pode amar. Mas, sabemos que quando não vivemos estes seus caminhos de Amor, somos perdedores. Ficamos aquém do que poderíamos ser, compreender, viver. Somos menos cristãos. Somos menos espirituais.
A vida cristã é sempre uma construção. É um caminho que se vai fazendo e que tem por base este acreditar que precisa sempre de ser alimentado, cuidado, protegido e atualizado. Alimentado com a Palavra de Deus que é sempre fonte de vida para a eternidade. Cuidado através do Amor que escolhemos como nosso oxigénio. Protegido dos falsos deuses que tantas vezes nos atraem e nos fazem ser egoístas, indiferentes e ausentes. Atualizado na relação com os outros, na descoberta comum de propósitos de vida em abundância, no questionamento que nos faz crescer em fé.
Nesta promessa marcada nesta passagem do Evangelho de São João, Jesus refere-se às suas obras. Estas obras não são os grandes monumentos, as grandes conquistas. Nem sequer são as grandes visibilidades e honrarias que quem é figura pública adquire. Se assim fosse, a mensagem de Jesus seria seletiva e estaria destinada apenas a um reduzido número de eleitos, o que entraria em total contradição com o cerne cristão. Estas obras são, por conseguinte, tudo aquilo que cada cristão pode e deve fazer e que está ao alcance das suas circunstâncias. Por isso, estas obras são, tantas vezes, os gestos mais simples e acessíveis, que nos chegam através de um sorriso, de uma palavra, de um olhar.
As obras de Deus são a forma e o modo como nós agimos. Nós refletimos a divindade que Deus nos deu, somos portadores dessa essência e somos responsáveis por trazê-la a descoberto. Se a mensagem de Jesus Cristo, na qual dizemos acreditar, não afeta a maneira como vivemos a nossa vida, então estamos a negligenciar esta mesma mensagem. De nada serve dizer que Jesus Cristo é o filho de Deus se, com a nossa vida, não somos capazes de confirmar estas palavras.
À semelhança do que aconteceu com os seus discípulos, Jesus também nos escolhe a nós, também nos responsabiliza pela continuação das suas obras. E todos nós fazemos falta. Todos nós somos importantes neste projeto de Deus. Todos nós somos peças fulcrais e necessárias. Numa palavra dada, num abraço oferecido, numa mão que se estende. Num caminho que se escolhe fazer, num projeto em comum, num olhar de vida. Todos fazemos a diferença.
Ninguém é cristão sozinho. Ninguém vive a sua fé sozinho. Acreditar é ação, atitude, movimento. E o Amor é sempre a resposta a dar, mesmo quando as perguntas surgem difíceis, perturbadoras, duras. A grande história do Amor de Deus acompanha e está presente na história de cada um de nós. O Cristianismo diz-nos que cada ser humano traz dentro de si o divino e que, por isso, é sempre sinal de Deus no mundo. Deus vem habitar no meio de nós. Em mim, em ti. Na tua comunidade, na tua família. Nos nossos amigos e nos nossos projetos. Nas nossas obras. E estas obras são abraços dados, canções sonhadas, mensagens enviadas, tempo em comum, subidas às montanhas, silêncios falados, textos escritos, refeições partilhadas, lágrimas cuidadas, casas escolhidas, risos alegres. As nossas obras. Que são as de um Deus que nos quer bem. E nós só precisamos de acreditar. Querer confiar. Ir buscar aquela luz que é Jesus e que nunca se apagará. Iluminar a vida toda para toda a vida. E, então, as obras permanecerão. E a vida seguirá em direção à Terra Prometida.
Iniciamos, hoje, o mês mariano por excelência. O mês dedicado a Maria que, com o seu Sim, permitiu que Jesus viesse habitar entre nós e, assim, fazer de cada pessoa um irmão e um filho amados. Com o Sim de Maria, Deus humanizou Jesus e divinizou a Mãe. Maria é um projeto de Deus. Maria está presente em cada um de nós. Nós também somos este projeto de Deus. Também nós fomos sonhados, amados e escolhidos. O que Deus fez com Maria também o deseja fazer com cada um de nós. Basta, para isso, que lhe queiramos oferecer o nosso Sim. Em cada dia em que seja preciso viver mais. Em cada lugar onde seja preciso amar. Em cada escolha onde seja preciso optar pela eternidade. Em cada palavra que precisa de ser dita para salvar. Em cada abraço que precisa de ser oferecido para acolher. No Sim de Maria está a nossa história. Com o Sim de Maria construímos a nossa própria história.
A Comunidade Estrada Clara celebra este mês de Maria na sua paróquia, na Igreja Matriz da Póvoa de Varzim. Com cânticos, meditações, silêncio e recitação do terço dedicaremos o nosso tempo a acolher este Sim de Maria. Seguem os horários das celebrações marianas orientadas pela Comunidade Estrada Clara:
O segundo encontro “Falar para CRER”, organizado pela paróquia da Matriz em colaboração com a Comunidade Estrada Clara, aconteceu no dia 8 de março. O tema abordado foi a Eucaristia enquanto sacramento da caridade. Como habitualmente é feito na dinâmica destes encontros, partiu-se da leitura de algumas catequeses do Papa Francisco a propósito da Eucaristia. Em seguida, em pequenos grupos, os participantes do encontro foram convidados a refletir acerca dos motivos pelos quais participamos na Eucaristia dominical, acerca do modo como cada um de nós se sente participante dessa mesma Eucaristia e como poderemos nós comunicar, com a nossa vida, o Amor que celebramos em comunidade em cada Eucaristia. Por fim, em grande grupo, todos partilharam as suas reflexões. Na semana seguinte, seguiu-se um “workshop” de três dias, orientado pelo Padre Avelino Castro, onde foi possível compreender, passando da teoria à prática, o significado litúrgico e pastoral da Eucaristia, o seu impacto na vida cristã e o que simboliza enquanto momento comunitário.
Os encontros “Falar para CRER” têm como objetivo ser um espaço de partilha e de reflexão acerca da vida comunitária. Partindo das vivências de cada cristão, é fundamental refletir acerca da atualidade da mensagem cristã e pensá-la na vida concreta do dia-a-dia, fazendo-a acontecer em atitudes, em ações, em projetos. E em comunidade, em partilha, as ideias fluem de um modo mais construtivo e comum e vamos crescendo em conjunto, alicerçados numa fé trabalhada, adulta, esclarecida e, assim, mais próxima de um Deus que nos quer pessoas inteiras e sempre Ressuscitadas! O próximo encontro “Falar para CRER” acontecerá já esta 4.ª feira, dia 26 de abril. Na véspera de entramos no mês mariano por excelência, refletiremos acerca do papel de Maria enquanto Mãe desta Igreja à qual todos pertencemos. Este encontro está aberto a todos os agentes da Pastoral (Catequistas, Jovens, Conselho Pastoral Paroquial, Leitores, Grupos Corais, Confrarias) das comunidades paroquiais. Contamos com todos!
3.º Encontro “Falar para CRER” – 26 de abril de 2023 (4.ª feira), das 21h às 22h30, no Salão Paroquial da Matriz (Póvoa de Varzim)