Vinde a mim

Reflexão para o mês de agosto de 2024

Texto de Ana Luísa Marafona, Comunidade Estrada Clara

“Vinde a mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu hei-de aliviar-vos.” (Evangelho de Mateus, 11, 28)

Soube há dias, por um mero acaso (dirão alguns, mas eu sou descrente em relação a coincidências…), que um amigo estava a passar por uma situação de perda recente. Uma dor que ele não quis partilhar com ninguém. Uma tristeza que ele desejou esconder. Um acontecimento sofrido que ele guardou só para si. Invadiu-me, em primeiro lugar, uma sensação de um certo espanto pelo facto de ele não ter procurado ajuda, não pedir um ombro onde descansar do sofrimento. E não foi por falta de amigos, pois ele está rodeado de gente de bem e que lhe quer bem. Isto incomodou-me bastante e deixou-me a pensar neste tema que sobrevoa a nossa existência quotidiana, que anda sempre de braço dado com a vida corrida, frenética, avassaladora – a dor da perda. Como é que cada um de nós lida com o que lhe desaparece? Como é que cada um de nós enfrenta o fim de um projeto, o cancelamento de uma perspetiva nova? Como é que cada um de nós atravessa esse deserto árido da perda?

Atualmente, a banalização do sofrimento é algo generalizado na medida em que perante situações adversas é-nos pedido que sejamos perfeitos, que continuemos a sorrir, que encaremos a dor como um desafio a vencer. Nestes imperativos, as emoções confundem-se e os sentimentos precipitam-se. Obrigamo-nos a colocar a máscara da fortaleza para que não encontrem as nossas fragilidades, as nossas inquietações, as nossas perdas. Ora, ir por este caminho solitário não nos vai levar à paz e à serenidade que tanto precisamos para conseguir lidar com os desafios que a vida nos oferece. Precisamos de companhia. Precisamos de quem nos dê a mão, de quem nos ajude a olhar a situação de uma outra perspetiva, de quem nos carregue ao colo quando as nossas forças adormecem.

Não é segredo para ninguém o facto de me assumir como uma pessoa abençoada pela diversidade de almas que me acompanham nesta estrada da vida. Digo e não me canso de repetir muitas vezes que o meu Euromilhões já me saiu na sorte que tenho de viver acompanhada com tanta gente irmã. Não seria eu a pessoa que sou hoje se em momentos duríssimos da minha vida não me tivesse deixado cuidar pela minha família e pela minha comunidade, se não tivesse partilhado com elas as minhas lutas, as minhas mortes, os meus fracassos. Algumas destas pessoas são muito diferentes de mim, nem sempre estamos de acordo, mas coincidimos em muitos pontos que nos unem nos caminhos partilhados. E chegamos sempre à mesma conclusão: esta nossa irmandade salva-nos todos os dias. Salva-nos de nos sentirmos sozinhos. Salva-nos de vivermos em piloto automático. Salva-nos de nos tornarmos meros funcionários humanos a cumprir um qualquer plano terreno. Salva-nos, tantas vezes, de nós próprios. Das nossas fragilidades. Das vozes pessimistas que povoam o nosso interior. Dos nossos medos paralisadores e paralisantes. Dos julgamentos a que nós próprios nos submetemos e onde não há espaço para a compaixão.

Precisamos de viver um sofrimento acompanhado. Um sofrimento acompanhado não é um sofrimento lamechas, não é um estado de “curtir” a fossa, não é uma adoração às lágrimas. Um sofrimento acompanhado é uma partilha de vida que nos ajuda a encontrar a alegria na tristeza, o amparo no desamparo, a companhia na solidão. É ter a certeza de que não estamos sozinhos na dor que nos invade. É saber que podemos descansar naqueles que nos querem dar descanso e apaziguar o nosso sofrimento. É ter uns braços abertos para nos abraçar em forma de colo e de casa. Muitas vezes, quem nós deixamos que nos acompanhe, não nos traz a solução para o que nos magoa, não nos cura da doença que nos aflige. Mas traz-nos alento, paz, consolo.

Há dois mil anos, já Jesus nos dizia isto mesmo, oferecendo-se a Ele próprio para nos acompanhar em todas as adversidades da vida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei” (Mateus 11, 28). Jesus faz-nos um convite não à fuga no sentido de fingirmos que está tudo bem e nos distrairmos do mal, mas um convite à relação. À relação com Ele, fonte de vida, lugar de descanso, homem de paz. Jesus reforça nesta frase tão simples o poder da relação, a salvação que encontramos quando nos sentimos vazios, ocos, incapazes de avançar. Jesus reconhece que a nossa vida está, tantas vezes, pautada pela falta de forças, pela incapacidade de estarmos presentes na vida, pelo cansaço que a apatia nos traz. Por isso, Ele mesmo nos consola e apresenta-nos a sua proposta: vinde comigo e trazei todos os vossos problemas, sem necessidade de ocultar, disfarçar ou esconder; vinde comigo tal como estais e eu vos consolarei e vos farei ver a vida à  minha maneira. Jesus nunca promete receitas mágicas. Jesus promete uma nova visão da vida.

Há dias, quando falava para um grupo de jovens acerca da Parábola dos Talentos, dizia-lhes que a maior graça que podemos ter é a possibilidade de crescermos acompanhados por quem nos quer bem. A nossa maior missão é procurarmos viver rodeados de pessoas que nos interroguem quando andamos à procura, que nos amparem quando caíamos, que se riam connosco quando as lágrimas teimam em cair e que nos abracem no conforto pleno da amizade. Há dois mil anos, Jesus prometeu este acompanhamento a todos os homens e mulheres de boa vontade. Hoje, nós podemos e temos de ser, uns para os outros, este acompanhamento na dor, este consolo na tristeza, este lugar que acolhe e ama. Que saibamos cuidar e também deixarmo-nos cuidar. Que ofereçamos não as respostas mas o caminho acompanhado para as encontrar. Que os nossos braços estejam sempre abertos e o nosso coração disponível.

Pré-jornadas: o que fica um ano depois?

Há um ano, iniciavam-se as Pré-Jornadas nas dioceses portuguesas. Na paróquia da Matriz, os grupos de jovens foram os responsáveis não só pelo acolhimento de três grupos vindos de Espanha, da Alemanha e da Polónia, mas também pela organização das atividades durante esses dois dias. Gentilmente, a Comunidade Estrada Clara também foi convidada a participar. Respirou-se juventude e alegria, geraram-se empatias e risos, foram dados mil abraços e sentiram-se os corações unidos num só Coração, aquele que é o de um Deus maior que a todos nos faz irmãos. Durante esses dias, os jovens peregrinos tiveram a possibilidade de participar nas diversas atividades dinamizadas pelos jovens da nossa paróquia. Na 5.ª feira de manhã, visitaram o Museu Municipal e construíram uma dezena do terço. À tarde, fizeram um “peddy-paper” para melhor conhecerem a nossa cidade e participaram na Eucaristia das 19h, na Igreja Matriz. À noite, a recitação do terço, na Basílica do Coração de Jesus, foi feita em várias línguas e a adoração ao Santíssimo adornada com cânticos e silêncio. Na 6.ª feira de manhã, organizamos um momento de oração, na Igreja Matriz, seguido da apresentação de um tema “Viver (n)a confiança” com a partilha feita em pequenos grupos. De tarde, os jovens tiveram a possibilidade de passear pela cidade e assistiram à Eucaristia das 19h. O dia terminou com um convívio entre todos.

Passado um ano, o que permanece destes dois dias? Para além das lembranças bonitas que estes momentos deixam sempre, fica, sobretudo, a capacidade de organização, de empenho e de dedicação que os jovens da nossa paróquia souberam (e sabem!) demonstrar. Estes dias foram a concretização da parábola da vida em comum. Os obstáculos ultrapassam-se porque todos se ajudam, as alegrias multiplicam-se porque todos as vivem e descobrimos que na relação uns com os outros tornamo-nos maiores que as nossas individualidades. Este é o milagre da vida em comunidade. Por isso, um ano passado, agradecemos a todos estes jovens que escolheram fazer caminho no caminho da sua paróquia. Somos todos muito mais ricos porque nos sabemos, juntos, a ser Cristãos nesta estrada comum.

Dia J

Em 2002, foi este o nome com o qual batizamos o primeiro fim de semana dedicado aos jovens e por nós organizado na nossa paróquia. Um dia de partilha, de música, de grupos, de conversas, de canções, de movimento, de musicais. Dia dos jovens, da juventude, de Jesus! Foi a primeira de muitas atividades totalmente pensadas pelo Jorge para oferecer aos jovens da altura. Com a sua exigência tão característica, com a sua vontade de fazer bem o bem, com o seu desejo de a todos acolher e anunciar aquele Jesus que foi sempre toda a sua vida.

Volto hoje a esse primeiro Dia J porque é preciso voltar a rebatizar esse dia e assumir memória do que continua a ser. E hoje volta a ser o Dia J. Porque é o dia do aniversário do Jorge. O dia todo da sua vida connosco. O dia que Deus escolheu para que ele viesse habitar no meio de nós.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de agradecer a sua vida toda que foi toda ela serviço, canções, palavras e ação.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de lembrar as suas palavras que ecoam nos nossos corações e nos impelem a sermos sempre mais pessoas em comunidade.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de assumir as suas inquietações que agora trazemos em nós e que nos lembram que a vida em amor é sempre um salto de confiança.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de azul, de livros falados, de bolos XXL, de ataques de riso, de passeios e de voltas às rotundas.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de nascer para ser vida e ser vida com um significado tão profundo que vence qualquer separação.

Dia J. Dia do Jorge. Dia da atenção plena aos outros, do cuidado com todos os detalhes, do amor ao campo e à arte do descanso.

Dia J. Dia do Jorge. Dia de viagens longas de autocarro, de paragens em estações de serviço pela madrugada, de acantonamentos cheios de sol e de estrelas.

Dia J. Dia do Jorge. Dia dos silêncios fecundos, das conversas noturnas e das folhas amarelas nos temas partilhados.

Dia J. Dia do Jorge. Dia da festa maior embrulhada em saudade e enfeitada em abraços cheios daquela irmandade que nos continua a salvar todos os dias.

Ana

Dia de Festa

Com imensa alegria e, sobretudo, com o coração cheio de gratidão, preparamo-nos, em comunidade, para fazer uma festa! Amanhã, os nossos dez formandos do terceiro grupo da Formação Cristã de Adultos receberão o Sacramento da Confirmação. Destes dez, um deles será também batizado. De outubro de 2023 a junho de 2024, às sextas-feiras, das 21h30 às 23h, este grupo fez o seu percurso na descoberta de um Deus que é sempre Amor e presença em cada um de nós, construindo assim o início de uma fé adulta, pensada, concreta, vivida em ações, participada no quotidiano e celebrada em comunidade. Ao longo dos 25 encontros, procuramos dar a conhecer o que significa, nos dias de hoje e no contexto social, ser-se cristão comprometido, esclarecido, com um propósito de vida consciente e com a experiência sempre fundamental da dimensão comunitária.

Por isso, amanhã faremos festa! Celebraremos o percurso cristão 𝗱𝗮 𝗔𝗱𝗲𝗹𝗶𝗻𝗮, 𝗱𝗮 𝗗𝗮𝗻𝗶𝗲𝗹𝗮, 𝗱𝗮 𝗟𝗶𝗹𝗶𝗮𝗻𝗮, 𝗱𝗮 𝗟𝗼𝘂𝗿𝗱𝗲𝘀, 𝗱𝗼 𝗠𝘂𝗿𝗶𝗹𝗼, 𝗱𝗼 𝗣𝗲𝗱𝗿𝗼, 𝗱𝗮 𝗥𝗮𝗾𝘂𝗲𝗹, 𝗱𝗼 𝗥𝗶𝗰𝗮𝗿𝗱𝗼, 𝗱𝗼 𝗥𝘂𝗶 𝗲 𝗱𝗮 𝗧𝗮𝘁𝗶𝗮𝗻𝗮. Agradecemos todas as escolhas que eles fizeram desde o momento em que se decidiram inscrever nesta formação até ao dia de amanhã que marcará, não o fim de uma etapa, mas o início de uma vida mais comprometida e partilhada na Igreja que somos todos nós. Destacamos a disponibilidade, a humildade, a persistência, a motivação e o carinho que estes formandos sempre nos transmitiram em todos os encontros. E somos infinitamente gratas pela possibilidade que nos deram a nós de partilhar com eles a nossa vida enquanto elementos de uma comunidade orante e pensante.

Desejamos que cada um destes nossos queridos formandos continue a sua descoberta e construção como cristãos que são. E, sobretudo, que caminhem em confiança e na confiança deste Deus que está sempre connosco. Eu, a Beatriz e a Sofia, como comunidade e irmandade que somos e onde somos, estaremos sempre onde vocês nos encontraram pela primeira vez – a abrir-vos as portas de uma Igreja que é para todos, todos, todos. Sempre!

Ana

50 dias

50 dias pascais iniciados naquele momento da mais bela noite anunciada no Precónio Pascal, pela primeira vez cantado, na nossa paróquia, por uma mulher, num gesto de memória pelas mulheres, primeiras testemunhas da Ressurreição a anunciar que Ele estava vivo!

50 dias pascais que terminam hoje, dia de Pentecostes, dia este em que os nossos mais pequenos paroquianos receberam Jesus, pela primeira vez, nos seus corações.

Pelo meio, cantamos a Eucaristia do Domingo de Páscoa, anunciando com os nossos cânticos, as nossas vozes e os nossos instrumentos, a alegria que nunca tem fim, aquela que nos é dada como garantia de uma eternidade feliz.

Tivemos também a graça de, neste tempo pascal, termos tido connosco um grupo de seis jovens peregrinos vindos do Reino Unido que, numa paragem do seu caminho até Compostela, abrilhantaram uma das nossas eucaristias paroquiais com as suas vozes luminosas.

Continuamos com os nossos Encontros de Formação Cristã e aproximamo-nos desse grande dia em que este grupo fará o seu grande compromisso de uma fé adulta, vivida e comunitária.

No nosso encontro mensal “Falar para CRER”, feito, desta vez, num molde mais intimista, refletimos, com muito humor (sempre!) e amor, acerca do mistério da pedra do sepulcro, aquela pedra que mudou toda a nossa história…

Neste tempo pascal, fomos também testemunhas da entrada de dez crianças na nossa família cristã. Poder testemunhar este momento feliz é viver a gratidão através da nossa vida em comunidade.

As nossas Estradas Partilhadas continuam a ser percorridas. Neste período pascal, partimos das músicas para descobrir acontecimentos e perceber como é que os instrumentos que escutamos falam da vida toda em nós.

Não existe Páscoa sem Maria. E no seu mês, numa iniciativa inédita da nossa paróquia, meditamos o terço numa das capelas marianas da nossa cidade.

E quase a terminar este tempo de festa, vivemos o nosso Lausperene Comunitário. Adoramos um Deus que se fez e faz sempre próximo, que quer fazer parte das nossas vidas e que é sempre sinal de eternidade.

50 dias vividos em comunidade e para a comunidade onde vivemos e onde nos tornamos, em cada dia, pessoas de Ressurreição!

Dia da Mãe 2024

Amélia. Deolinda. Dulce. Ermelinda. Fernanda. Margarida. Maria de Lurdes. Melinha. Odete. Paula. Rosa

Os nomes das nossas mães. Os nomes que só de lembrá-los ou dizê-los nos trazem o mundo inteiro de quem somos.

Hoje é Dia da Mãe, aquela que foi, desde o nosso início, a nossa primeira casa, o nosso primeiro abrigo, a nossa primeira fortaleza de amor.

Hoje é dia de agradecer a vida das nossas mães nas nossas vidas. As suas escolhas e as suas dúvidas. As suas alegrias e as suas dores. Os seus abraços e as suas exigências. As suas entregas e as suas dificuldades.

Hoje é dia de celebrar a nossa história de amor vivida com as nossas mães em cada dia que nos foi e que nos continua a ser dado para sempre, mesmo quando a separação física se impõe. Somos quem somos porque as nossas mães construíram os nossos alicerces, cuidaram das nossas raízes, fazendo sempre o melhor que os seus corações lhes diziam para fazer por nós, tendo como único guião o do amor imenso por nós. Sempre.

Neste mês de maio, a Igreja lembra diariamente a figura de Maria. Uma mãe como tantas outras mães. Com dúvidas cobertas de amor. Com medos vencidos pela coragem. Com sofrimentos apaziguados com confiança. A maior lição que as mães e os filhos podem aprender de Maria é a do amor que acontece apesar de tudo o que acontece e quando tudo acontece.

Mãe. A palavra maior que canta amor. A palavra que anuncia beijos e abraços apertadinhos. A palavra que faz bater com intensidade o amor que trazemos no coração. A palavra que é um hino ao infinito.

Feliz Dia da Mãe a todos os que são filhos e mães, porque este dia só pode existir porque existe a maior de todas as relações – a do Amor!

Mês de Maria 2024

Hoje iniciamos o mês mariano por excelência. O mês dedicado a Maria que, com o seu Sim, modificou o rumo da História e fez história nas nossas histórias pessoais e coletivas. É um mês em que nos dispomos a estar mais atentos à figura de Maria, mais em sintonia com os seus movimentos, mais perto de uma vida que soube dar vida às nossas vidas.

Na nossa paróquia, este mês de Maio é vivido de forma sempre especial. Hoje à noite teremos a procissão de velas, uma caminhada orante iluminada pela luz que trazemos em nós e que queremos oferecer a quem connosco caminha. Durante o mês de Maio, ainda influenciados pela Senhora da Visitação das JMJ de Lisboa, iremos, em comunidade e na comunidade, percorrer as igrejas que fazem parte da nossa paróquia e aí os diversos grupos farão, todas as noites da semana, a sua oração mariana.

Assim, a Comunidade Estrada Clara celebra este mês de Maria na sua paróquia, desta vez na Igreja de Nossa Senhora das Dores. Com cânticos, meditações, silêncio e recitação do terço dedicaremos o nosso tempo a acolher este Sim de Maria. Seguem os horários das celebrações marianas orientadas pela Comunidade Estrada Clara:

– 2 de maio (5.ª feira), às 21h30, na Igreja de Nossa Senhora das Dores

– 9 de maio (5.ª feira), às 21h30, na Igreja de Nossa Senhora das Dores

*𝐄𝐬𝐭𝐚 𝐛𝐞𝐥í𝐬𝐬𝐢𝐦𝐚 𝐩𝐢𝐧𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐜𝐨𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐭𝐞𝐱𝐭𝐨 é 𝐨𝐛𝐫𝐚 𝐝𝐚 𝐁𝐞𝐚𝐭𝐫𝐢𝐳, 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐭𝐫𝐚𝐯é𝐬 𝐝𝐨𝐬 𝐩𝐢𝐧𝐜é𝐢𝐬, 𝐝𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐫𝐞𝐬 𝐞 𝐝𝐚 𝐬𝐮𝐚 𝐬𝐞𝐧𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐭𝐫𝐚𝐳-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐛𝐞𝐥𝐞𝐳𝐚 𝐝𝐚 𝐚𝐫𝐭𝐞 𝐭ã𝐨 𝐧𝐞𝐜𝐞𝐬𝐬á𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐮𝐫𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐧𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬.*

Senhor, eu vi e acreditei!

Mensagem para a Páscoa 2024

“Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro:¬ viu e acreditou.” (do Evangelho de São João)

𝗦𝗲𝗻𝗵𝗼𝗿, 𝗲𝘂 𝘃𝗶 𝗲 𝗮𝗰𝗿𝗲𝗱𝗶𝘁𝗲𝗶!

As ruas enchem-se de festa. Todos partilham sorrisos, estendem-se as mãos e os olhares são de esperança. Senhor, eu vi e acreditei!

A tristeza cobriu-se de alegria, o desespero deu lugar à certeza, o fim é o início. Senhor, eu vi e acreditei!

A vida multiplica-se em gestos, os abraços são lugares de acolhimento permanente, a nossa história completa-se na irmandade. Senhor, eu vi e acreditei!

A morte deu lugar à vida, os caminhos encontraram-se, foram cantados os mais belos hinos. Senhor, eu vi e acreditei!

A história fez história, a cruz tem os teus braços sempre abertos para nós, as tuas palavras guiam-nos e libertam-nos dos medos passados. Senhor, eu vi e acreditei!

As quedas deram-nos a oportunidade de nos reerguermos, as feridas curaram-se com o Amor, sempre e só o Amor. Senhor, eu vi e acreditei!

As perguntas transformam-se em respostas, a dor fica coberta com outro significado, o aleluia é a palavra-chave que nos abre todas as portas. Senhor, eu vi e acreditei!

O silêncio preparou a alegria, o choro antecipou os risos, a noite trouxe a luz que precisamos para compreender e sentir a tua presença em nós. Senhor, eu vi e acreditei!

Hoje é Páscoa. Não é uma mera data num calendário, um feriado onde não se trabalha. Hoje é Páscoa. Ele está vivo! E nós estamos vivos porque Ele está vivo! Senhor, eu vi e acreditei. És tu! Foste sempre tu! Que a minha vida seja sempre reflexo da tua morte e ressurreição, das tuas quedas mas sempre da tua vitória sobre a morte!
Senhor, eu vi e acreditei!

Uma Feliz e Luminosa Páscoa para todos vós neste caminho sempre pascal em que, juntos, fazemos e somos comunidade!

Ana

Ele vem!

“Bendito o que vem em nome do Senhor!” (do Evangelho de São Mateus)

Uma reflexão para o Domingo de Ramos

Ele vem! E nós, alegres e cheios de sol, deixamos que Ele entre. Abrimos as janelas da alma, escondemos as tristezas, vestimos as roupas mais bonitas, damos os nossos melhores sorrisos.

Ele vem! Trazemos risos, batemos palmas e levantamos os braços. Vamos juntos, caminhamos com a velocidade que o coração nos pede e com a certeza que Ele nos dá de que estarmos no lugar que nos espera.

Ele vem! Ouvem-se vozes cheias de alegria, estendem-se os braços que embalam confiança. Nada nos perturba, nada nos incomoda, nada nos esmorece.

Ele vem! Temos os nossos corações preparados para este Amor, para esta entrega, para esta Luz. Nada mais importa a não ser a agitação de quem se prepara para fazer uma grande festa!

Ele vem! E a história d’Ele podia ter terminado aqui. Com aclamações e juras de amor. Com festa e muitas palmas. Com abraços e promessas.

Mas Ele quis que fosse de outra forma, para mostrar que o caminho teria de ser outro, que os desafios e os obstáculos existem para serem abraçados. E que a vida d’Ele em tudo se assemelha à nossa. Com quedas e levantamentos, com alegria e apatias, com gargalhadas e nós na garganta.

Por isso, Ele atravessa esta Semana Maior. E muitos dos que O seguiram, já não fizeram o resto do caminho com Ele. Não era bem este Rei que desejavam… Mas nós, hoje, temos sempre a outra opção. A de ir. Com Ele. De seguirmos por esta Semana com Ele. Então, o que esperamos? Vamos!

Ana

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Dia do Pai 2024

António. António Manuel. Arnaldo. Augusto. Carlos. Domingos. Isidro. Joaquim. Luís. Porfírio.

Os nomes dos nossos pais. Nomes carregados de histórias, de vidas, de risos e de lágrimas, de férias e de trabalho, de certezas e de perguntas, de abraços e partidas, de tempo e de espaço. Somos o que somos porque estes são os nossos pais. No dia do nosso nascimento não fomos só nós que nascemos. Nesse dia, os nossos pais nasceram connosco, com cada filho. Por isso, a nossa base está nestes homens. Fizeram por nós o melhor que sabiam num tempo em que muito pouco sabiam. O resto será sempre da nossa responsabilidade, daquilo que escolhemos fazer com o que nos foi dado. A vida vai se encarregando de nos dar a possibilidade de amarmos cada vez mais os nossos pais, de os olharmos com carinho e compreensão, de lhes sermos gratos, de perspetivarmos memórias guardadas.

Por isso, hoje é dia de celebrar e de agradecer. Aqueles que nos amaram primeiro mesmo antes de nos conhecerem. Aqueles que nos sonharam e que nos deram o primeiro colo. Aqueles que hoje podemos abraçar ou lembrar. Aqueles que são imortais nos nossos corações. Aqueles que nos deram o seu coração. Os nossos pais.

A Igreja lembra hoje também a figura paternal de São José, muitas vezes relegado para um plano mais secundário. José foi educador, sonhador, acolhedor. Numa sociedade patriarcal, foi chamado a amar a escolha de Maria, prova de amor irrefutável para com a sua mulher amada e o seu filho. José foi um desafiador de normas para que o bem se instalasse entre nós. Mesmo não compreendendo tudo, ele tudo fez para que os planos de Deus se concretizassem. Que possamos nós também olhar para este Pai e desejar atravessar com serenidade os desafios que a vida nos propõe.

Feliz Dia do Pai a todos os que são filhos e pais, porque este dia só pode existir porque existe a maior de todas as relações – a do Amor!

Ana